POR QUE CASAMENTOS ACABAM?

Eu e minha esposa estamos chegando aos 30 anos (Bodas de Pérola) de vida conjugal e devemos esse feito ao enorme esforço ao longo desses anos para nos mantermos casados e sempre “espantar” qualquer possibilidade de separação. Vocês pensam que é fácil? Não! Mas Deus tem sido tão bondoso e misericordioso conosco que nos tem ajudado nessa luta constante.

Os casamentos são realizados numa atmosfera de amor e cumplicidade pouco vistos em outros acontecimentos da vida. Quando duas pessoas resolvem, voluntariamente, se juntarem no matrimônio, escolhem também se separarem de suas vidas individuais e solitárias para viverem uma vida comum e coletiva. Deus criou o matrimônio, as testemunhas/padrinhos avalizam, o juiz o padre ou o pastor abençoam o ato, as alianças são colocadas nos dedos para nunca serem tiradas, as pajens lançam as pétalas de rosas no caminho dos noivos e recém-casados, os familiares e amigos lançam arroz (desejando boa sorte e fecundidade, felicidade e fertilidade para o casal) e o casal aposta todas as suas fichas na prosperidade daquela união e saem da cerimônia felizes e cheios de amor. Que maravilha!

O casamento é um ato impecável do ponto de vista jurídico e composto de todos os aparatos para garantir a ambas as partes uma vida conjugal perfeita e possível. Mas, a outra realidade começa após o “sim” e logo surgem os “se”, os “por quês”, os “talvez”, as “densas nuvens”, etc. e tal., e o casamento começa a entrar em loop de realidades. O véu e o vestido brancos são deixados na cama da lua de mel e as verdadeiras roupas são vestidas. As verdades e dificuldades de uma vida a dois começam então a entrar nos eixos. O sonho do casamento perfeito vai ficando nas entrelinhas do dia-a-dia real e os cônjuges começam a enxergar a realidade além do que as palavras ditas no ritual. As faturas das promessas começam então a ser cobradas e nem sempre aqueles que “casaram” conosco naquele memorável dia, com exceção de Deus, estão dispostos a nos ajudar à paga-las.

O casamento começa a ganhar status e ambos os cônjuges vão aprendendo a lidar com as diferenças, se ajustarem ao desconhecido a abrirem mão de seus desejos pelo outro, até aí tudo muito lindo e especial. Quando confiamos nosso casamento apenas em outros e não em nós mesmos, não que isso seja ruim, somos surpreendidos pelas dificuldades de uma vida a dois e vem junto as intempéries tão comuns a relação conjugal.

Alguns casamentos acabam por que nunca começaram. Porque as promessas de um casamento feliz e “até que a morte os separe” foram feitas na confiança dos outros (testemunhas, padrinhos, pajens, juiz, padre, pastor, etc. e tal), e não verdadeiramente em nós mesmos. O casamento que começa confiando na luz dos outros, tende a cedo ou tarde a ficar sem essa luz.

Casamentos acabam quando não conseguimos compreender o quanto ele carece de algo mais que uma lua de mel espetacular, algo mais do que uma satisfação emocional, sexual ou financeira, algo mais que uma bela casa bem mobiliada e uma farta conta bancária, algo mais que umas viagens nas férias de verão no Caribe ou logo ali, algo mais que uma troca de roupa de cama. O casamento precisa de doação.

Casamentos acabam quando impedimos que o outro viva suas expectativas ao compartilhar o mesmo teto, de ser suprido pela presença, de ser alimentado pelo afeto, de ser respeitado pelo que é, quando falta a compreensão do outro e suas necessidades, quando surgem pequenas desilusões que são jogadas para baixo do tapete da alma, quando o cônjuge aposta mais em si próprio do que em ambos, quando não conseguem torcer pelo sucesso do outro sem antes se colocar na dianteira do seu próprio, quando o amor aprisiona até sufocar, quando o contato visual é escasso ou perdido por outras paisagens atraentes, quando a comunicação singela e respeitosa dar lugar aos mal tratos verbais e inconsequentes, quando a alegria da chegada não é mais sentida, quando o sexo é o mais desejado e o carinho é secundário.

Casamentos acabam quando os conjugues resolvem terceirizar a relação, quando passam a depender mais de outros (familiares e amigos) para se manterem sob o mesmo teto, na mesma cama, na mesma alegria, na mesma dor.

Casamentos acabam quando desistimos de nós mesmos e do outro por acharmos que a vida a sós, interrompida outrora, era a melhor coisa. O arrependimento é algo normal, mas a depender de certas circunstâncias onde houveram planejamento e muito amor na realização do casamento, causam mais sofrimento que alivio.

Casamentos acabam quando deixamos Deus de fora dele. Quando não pedimos a Ele que nos ajude, que sustente nossa relação conjugal quando nossas energias ou até mesmo o amor cambaleam.

Crises todos temos e se vocês ainda não às tem são uma exceção muito bem-vinda nesse navio nebuloso e cheio de gente tentando remar para frente apesar das fortes tempestades.

Como disse, estamos remando para as Bodas de Pérolas (30 anos) de nosso casamento com muitas expectativas de dias ainda melhores para a glória de Deus.

Por que casamentos acabam?

Qual a sua resposta?

Abraço com sindero desejo de que seu casamento nunca acabe.

Josinaldo M.

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