A GENTE PRECISA DO SIMPLES.

Vivemos em busca de plenitude nas coisas magnificas, estupendas e grandiosas. No deslumbre de uma joia, numa bolsa, numa roupa ou num acessório que salta aos olhos de qualquer mortal ou um possante que ronca ao imaginar-se pisar num acelerador.

Agente precisa do simples que nos faça apreciar e não apenas usar, que nos faça sentir não apenas curtir. Agente precisa do simples que é visto num sorriso sincero, despretensioso e singelo.

Agende precisa do simples de uma conversa em baixo de uma arvore no final de tarde. Agente precisa do simples de um almoço feito numa panela de barro num fogo a lenha.

Agente precisa do simples de uma viagem que nos permita escutar o canto dos pássaros e não o ronco de motores de supersônicos. Agente precisa do simples de um aperto de mão que sela um acordo sem amarras jurídicas. Agente precisa do simples da brincadeira de criança que dispensa malícias e cara feia. Agente precisa do simples nas nossas relações sociais que nos permita rir, brincar, xingar, questionar sem o patrulhamento do politicamente correto.

Agente precisa do simples de Jesus nos relacionamentos com o negador Pedro, com o descrente Tomé, com o traidor Judas, com o jovem rico, com a mulher adultera, com o mestre Nicodemos, com a Samaritana junto ao poço de Jacó, com o Pilatos desconcertado, com o cego de Jericó…

Agente precisa do simples de Deus na aliança com Noé, na conversa com Moisés, na caverna com Elias, na cova dos leões com Daniel, no trato da personalidade do Rei Davi, no Egito com José, na fé de Josué, na vida de Noemi, no vazio existencial do sábio Salomão…

Agente precisa do simples da natureza que pulsa e respira corajosamente enquanto é sobrepujada, maltratada e mal cuidada. Agente precisa do simples da incansável formiga na estrada da ida e vinda.

Agente precisa do simples do cálice de barro que ao ser cheio do mais caro vinho não deixa de ser barro ou do copo de vidro que em contato com o mais fino espumante não se transforma numa taça do mais puro cristal. Agente precisa do simples de um feijão com arroz que nos sustente para o dia seguinte.

Agente precisa do simples do amor sem interesse, do ombro sem promissórias, do olhar sem malícia, da risada sem críticas, do perdão sem censura, da fé sem amarras, da liberdade sem grades ideológicas, do amigo(a) junto, da chegada aguardada, da surpresa inesperada…

Agente precisa do simples da vida que sorrir das palhaçadas de um palhaço qualquer, da leveza da sinceridade da alegria de viver.

No fim da vida agente precisa do simples nada mais.

Uma abraço para você!

Josinaldo M

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