Sendo imperfeito, talvez, consiga julgar ante o espelho de mim mesmo.

JosinaldoM

Um dos assuntos falados em meio a triste Pandemia é a Cultura do Cancelamento que ganha contornos diferentes e bastante atenção da sociedade brasileira, especialmente a jovem. Não poderia deixar de colaborar para uma reflexão bíblica e contextual acerca do tema. Vamos comigo?

De acordo com o dicionário australiano Macquarie, a “cultura do cancelamento” foi eleita o termo do ano de 2019, e não é para menos. Mesmo não tendo um marco exato de origem, a cultura do cancelamento aparentemente teve início a partir da mobilização de vítimas de assédio e abuso sexual (Movimento #MeToo), que ganhou maior visibilidade em 2017 por força das denúncias realizadas em Hollywood. Desde então, mesmo o Movimento #MeToo traduzindo a coragem de se expor problemas há anos escondidos, a cultura do cancelamento vem seguindo um caminho que aparentemente diferencia-se da iniciativa de conscientização e debate de assuntos relevantes no âmbito digital e no âmbito real, como assédio, racismo, homofobia, etc. A cultura do cancelamento tem chamado a atenção, principalmente nas redes sociais, por tratar-se de uma onda que incentiva pessoas a deixarem de apoiar determinadas personalidades ou empresas, públicas ou não, do meio artístico ou não, em razão de erro ou conduta reprovável. Nos termos da definição da palavra “cancelar”, a ideia do movimento é literalmente “eliminar” e “tornar sem efeito” o agente do erro ou conduta tidos como reprováveis. Mas…

You’re CANCELED! (Você está Cancelado!)

Desde a queda de Adão, o primeiro “eliminado” ou “cancelado” por seus atos, a humanidade têm seus atos reprovados por Deus. Quando Adão pensou em ir com tudo para cima de Deus e “abafar”, Ele “eliminou” seu ego e arrogância e o expulsou do Jardim (sua casa).

Até hoje, o homem age igual Adão, com sua arrogância contumaz, quer viver num estado de glória, sujo, nu e cheio de pecados, sem reconhecer-se perdido e sem efeito.

Deus reprovou e reprova os atos humanos que não O agradam, mesmo o homem sendo coroa da Sua criação, Ele não o restaurou à condição original, mas cumpriu sua promessa proferida a ele no Éden (Gn.2,16,17) de que ele morreria se apenas comece do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Deus “cancelou” Adão por sua desobediência. Não precisou colocá-lo num reality show com outras pessoas ou numa rede social com milhões de seguidores para analisar, vigiar e eliminar seus atos. Adão caiu sozinho! Caiu de forma deliberada pelo seu próprio desejo de ser igual ao que não poderia ser. Adão caiu por não usufruir do que era e do que possuía.

Portanto, Adão foi o primeiro eliminado, por Deus, não por outro homem, da vida real e social de que temos conhecimento.

INJUSTIÇAS NO MOVIMENTO POR JUSTIÇA SOCIAL?

O Movimento do Cancelamento, em nosso contexto, mais parece um “tribunal inquisidor da internet” sem valor jurídico, cujos juízes e executores são os que ora aplaudem e ora desaprovam com maior veemência. O “tribunal inquisidor da internet”, que busca fazer “justiça social” cometendo injustiças se diferencia muito do Tribunal Divino que não admite erros, pune o(a) culpado(a) que depois de arrependido(a) é perdoado(a) e restaurado(a) através de Cristo, pela legitimidade, isenção e pureza para fazer justiça. O “tribuna inquisidor da internet” olha o argueiro no olho do outro sem enxergar a trave no seu próprio olho. Quem tem legitimidade para julgar? Como pode amar e seguir uma pessoa e no momento seguinte odiar e assassinar sua reputação? Ou o amor é camuflado? Ou toda relação virtual não passa de um like ou um deslike?

Pessoas de todas as classes, ascendentes ou não ao sucesso tem caído nesse “tribunal” por suas “imperfeições”, etc. A cultura do cancelamento caminha destruindo o que julga serem “más” reputações sem dó e piedade ancorada em quê? Em nome de quem? Por uma causa? Ou para simplesmente causar? Destruir e destruir?

A ideia de “cancelar”, “eliminar” ou “tolher” o direito e liberdade do pensamento ou palavra do outro não coaduna com um mundo livre, civilizado e colaborativo. As grande mentes do passado ( algumas in memorian) não escapariam ao intransitivo sucumbir desse novo tempo, e, provavelmente, seriam “suprimidos” pela irrelevância de suas palavras e atitudes, inaceitáveis por pessoas “perfeitas” que pensam estarem no jardim do Éden aptas para eliminar quaisquer divergências.

A “cultura do cancelamento” que nasceu como “grito” das vítimas do assédio e abusos sexuais de todas as formas é legitimo por denunciar o(a) culpado(a) e chamar à atenção das autoridades judiciais para agirem em defesa da vítima, fazendo a devida justiça. O problema é o desvirtuamento do propósito, quando se abriu o leque virou “brincadeira” maldosa onde o sentido de justiça se transforma em vingança por vingança e pouca eficácia.

Apelo aos meus leitores que não entrem nesse barco à deriva. Estamos vendo nesses dias anormais, de muitas mortes, pessoas buscando eliminar umas às outras da vida social ou da própria vida. Mesmo tendo a consciência de que a maioria desses pseudos cancelamentos não passam de brincadeira de mal gosto, deixo algumas dicas: viva a vida mais real e menos virtual; busque mais interações com pessoa reais; evite manifestar seus pensamentos ao vento da internet sem refletir nas consequências reais; não espere “aplausos virtuais” num dia e no outro dia ter desaprovadas suas atitudes de forma brutal, sem dó, e, não poder fazer nada, a não ser lamentar e tentar juntar os cacos. O bom senso, tão em falta hoje em dia, é uma poderosa arma para ser usada no uso das Redes Sociais. Planeje sua interação na vida virtual e tenha cuidado para não ser seduzido(a) por esse mundo a ponto de deixar de perceber a vida aqui fora.

Concluindo, quero lhes dizer que Deus ao colocar Adão no Jardim Real e passar a ter um relacionamento real com ele, fomentou uma das melhores coisas que o homem precisa – relacionamento saudável.

Espero que Deus lhe abençoe e que você deseje cada dia estar se relacionando com Ele.

Me dê seu feedback.

Abraço!

Josinaldo M

Leia também: Redes Sociais

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