Erros da PATERNIDADE

Esse é daqueles temas controversos que dividem opiniões mas que precisam ser pensados. Minha proposta não é confrontar ou comparar o Modus operandi vigente na sociedade quanto à criação de filhos, e, sim propor uma reflexão ou um contra ponto para ajudar pais que buscam uma segunda ou terceira vias que lhes ajudem na importante e necessária tarefa do exercício paternal. Tudo é fruto de observação pessoal e experiências da paternidade. Convido-os à uma releitura e reflexão sobre alguns pontos que entendo serem comuns. Vamos nessa jornada?

PROVIMENTO E PROTEÇÃO

Todos compreendemos que a provisão e a proteção não devem ser negligenciadas. Os pais erram quando estabelece que a mais importante missão da vida é prover os filhos e cerca-los de tudo que não tiveram, protegê-los de quaisquer tipos de privações ou sofrimentos que prejudiquem o desenvolvimento físico, emocional, pessoal, social e espiritual. Pais que “abandonam” suas próprias vidas para entregarem-se à satisfação completa de seus filhos, colocando em segundo plano suas próprias necessidades e anseios, alimentam os filhos com dinheiro, sonhos e projetos, os colocam numa redoma “protegida”, impedindo-os de acessar o mundo como ele é. Agindo de forma a inibir qualquer ameaça que venha pôr-se no caminho entre seus desejos e o dos seus filhos ensinam aos filhos que a proteção paterna não são braços que abraçam mais que sufocam. Suprir necessidades e proteger não deve impedir que os filhos consigam mover-se em direção às suas próprias conquistas.

FILHOS NO CONTROLE

Os pais erram quando não vivem suas próprias vidas. Imaginem um pai e uma mãe no início de suas vidas adultas, desistindo de quase tudo (sonhos, projetos, vida social, emprego, etc.,) por causa da cria. Pode ser a melhor decisão, mas também a desistência da própria condição. Os filhos passaram a não enxergar as necessidades dos pais, e, na maioria das vezes controlaram suas vidas e as subjugam às suas vontades. Passam a controlar as ações dos pais em seu favor. Filhos são experts em furtar a vida dos pais a luz do dia, sem qualquer receio vão tomando, tomando até não restar vida alguma para ser vivida. A paternidade não deve ser uma sentença de morte da própria vida! É preciso encontrar um equilíbrio satisfatório.

PAIS NO CONTROLE

Os pais erram quando resolvem considerar que seus filhos não viveriam no mundo sem o sacrifício de suas vidas por eles e assim passam a construir as “barreiras” fortificadas contra quaisquer interferências externas que possam atingir suas crias, se tornando guardiões do presente e do futuro dos seus filhos. Esse controle é efêmero, pois cedo ou tarde terão que derrubar as “barreiras” fortificadas e lançar os filhos para fora, a questão é: eles estarão preparados?

[Se você está pensando que estou exagerando, ou sugerindo que você deva “abandonar” a ideia do pai presente ou mesmo correr dessa ideia de ser pai ou mãe, me desculpe, mas não é isso. Estou dizendo que você erra quando vive uma vida para os filhos e não com os filhos. Quando passa suas noites, manhãs e tardes pensando em como agradá-los, quando festeja cada idade nova deles sem perceber que sua vida está acabando. Quando você dar as costas para seu espelho e suas rugas e enfados são ignorados por anos.]

A PATERNIDADE NÃO É PERFEITA

Os pais erram quando deixam serem vistos como “superpais” por seus filhos. Quando não deixam serem vistas suas lutas, fraquezas, lamentos e percas. Os pais devem amar os filhos até a morte, mas não devem nega-lhes a dor que sentem. As nossas fraquezas podem e devem ser compartilhadas com quem amamos, isso forja o caráter e criam-se defesas emocionais e psíquicas tão importantes quanto a formação acadêmica, profissional e social. Não devemos abandonar o poder do exemplo, ele será impresso no outro. Não negue a seus filhos o privilégio do contágio da sua dor nem da alegria. A paternidade não é veículo à prova falhas, mas um veículo que necessitam de melhorias até chegar ao destino.

A PATERNIDADE NÃO É SOLITÁRIA

Uma vez que os pais passam a viver para os filhos e abandonam suas próprias vidas, eles contribuem pouquíssimo para que seus filhos consigam voar por conta própria, porque estão presos. Uma vez que os pais “evitam” que os filhos vejam suas próprias faces no espelho real da vida e se põem como a única vitrine, impedem que eles vejam quem de fato são. A paternidade torna-se solitária e não compartilhada com ambos. Esse tipo de egoísmo é prejudicial e não contribui na formação do caráter pessoal e intransferível que cada um deve ter.

Quando os pais morrem e são sepultados, as flores do velório murcham, as homenagens cessam e o luto termina, quase sempre iniciam-se as lutas nos Tribunais para a repartição dos bens ou herança deixados. O suor derramado, as noites mal dormidas, as pressões do trabalhos, as férias não curtidas, as viagens que não foram feitas, as festas que não foram festejadas… tudo se resultará em cinzas. Nem sempre os filhos agradecem a dedicação, lamentarão ou reconheceram toda a vida vivida, não lembraram dos tropeços, falhas e tristezas porque foram-lhes negados esses sentimentos desde a gestação da paternidade. Pais não criem seus filhos para serem apenas felizes, ricos e prósperos, mas criem para que sejam dignos, tenham bom caráter e que assumam suas próprias vidas.

Finalizando, como disse no inicio, minha proposta era trazer uma reflexão e uma releitura sobre os erros da paternidade que são tão comuns, mas se não observamos atentamente a cada detalhe, terminamos sucumbindo a aparente sensação de que tudo está indo bem, que a geração dos nossos filhos serão melhores porque não repetiram os erros do passado, etc., ou porque os livramos deles.

Que possamos curtir nossas vidas plenamente. Não morremos quando nosso(s) filho(s) nascem. Filhos são uma composição maravilhosa da família, são o conjunto da melodia, são parte da orquestra toda não um instrumento solo.

Espero, sinceramente, que possa ter lhe ajudado ou lhe feito refletir fora das das quatro paredes, propondo temas para que você vivencie no exercício da sua paternidade e que se alguma forma lhe seja útil.

Não é fácil criar filhos, mas é gratificante ajudar pessoinhas a se tornarem homens e mulheres que não tenham medo do mundo em sua volta, que tenham certeza do que são e que prosperem em suas vidas.

Não poderia deixar de dirigir-me aos pais que se sentem frustrados, fracassados e infelizes pelo que seus filhos representam, e, dizer-lhes que apesar de tudo ainda há tempo de inclui-los na sua vida ou no pouco que resta dela. Tente descobrir através de uma autoanalise em que momento você desistiu, recomponha-se, abra seu coração a seu(s) filho(s), se necessário peça perdão, se perdoe e recomece hoje.

Somos pais e filhos, mesmo após a morte!

Que Deus nos abençoe! Amém.

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