A “VERDADE” que Bolsonaro Desconhece

E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará.

Jesus Cristo (João 8:32)

Algo precisa ser dito acerca de João 8.32, que fuja aos lampejos de uma equivocada interpretação. “E a verdade – a minha verdade – vos libertara”. Para o apostolo João verdade não é um termo filosófico, definível pela teoria do conhecimento. Verdade é um termo religioso.

Que verdade é essa e a que ela se aplica? Para responder a essa pergunta precisamos fazer uma exegese.

O QUE SIGNIFICA EXEGESE?

Exegese é uma análise, interpretação ou explicação detalhada e cuidadosa de uma obra, um texto, uma palavra ou expressão. Etimologicamente, este termo se originou a partir do grego exégésis, que significa “interpretação”, “tradução” ou “levar para fora (expor) os fatos”. Normalmente, a exegese é utilizada para a interpretação e explicação crítica de obras artísticas, jurídicas e literárias, principalmente os textos de cunho religioso.

O EVANGELHO DE JOÃO

O propósito do Evangelho de João é encontrado em João 20:30-31: “Estes [sinais], porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”. O esboço do Quarto Evangelho, o livro de João é dividido em 5(cinco) temas: Introdução (1.1-51); O Ministério público de Jesus (2.1-12.50); Ministério final de Jesus aos doze (Apóstolos) (13.1-17.26); Prisão, crucificação e sepultamento de Jesus (18.1-20.9) e o Cristo ressurreto (20.10-21.25). No capítulo 8, versos 31 a 38, Jesus é apresentado como o Verdadeiro Libertador. Esse é o tema do livro.

Vamos nos deter em nossa “resumida” exegese do texto que se encontra no segundo tema do Esboço: O Ministério Público de Jesus, especificamente no capítulo 8 versículos de 31 a 38.

O DIÁLOGO DE JESUS COM OS JUDEUS

A passagem tem a forma de um diálogo entre Jesus e os judeus que aceitaram sua mensagem apenas no intelecto. Jesus disse a eles: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (8.31.32). O verbo “permanecer” aqui implica escutar, aceitar e obedecer ao ensinamento. Não seria o bastante apenas consentir mentalmente com o que ele dizia. Se eles quisessem estabelecer um relacionamento real com Jesus, teriam de começar a viver de acordo com seu ensinamento. Só depois de abrir o coração e a mente para aprender com ele é que experimentariam a verdadeira liberdade. Os judeus, entretanto, achavam que já eram livre: Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém (8.33). Alguns acreditavam numa tradição segundo a qual a descendência de Abraão lhes conferia o status de realeza e, embora estivessem politicamente sujeitos a Roma, sua alma continuava a ter um único governante: Javé.

Jesus afirmou que a liberdade mais importante é moral e espiritual: todo o que comete pecado é escravo do pecado” (8.34). Assim, todos eles, por serem pecadores, eram também escravos. Ele, entretanto, não era escravo do pecado (cf. 8.46), mas o Filho na família de Deus, e assim tinha o direito de libertar escravos, livrando-os das correntes que os prendiam (8.35-36). Ele podia fazer isso por todos os que lhe pedissem a liberdade por meio da fé. Os que tentavam matá-lo, em vez de pedir-lhe a libertação, mostravam-se claramente inimigos do Pai e, por isso, pertenciam a outo pai (8.37-38).

Portanto, os judeus ficaram indignados com a ideia de eles e Jesus não terem o mesmo pai. Eles insistiram em que Abraão era seu pai (8.39a), no entanto Jesus retrucou que a descendência de Abraão e a vontade de matar a Jesus eram coisas contraditórias. Abraão, o amigo de Deus, que é Pai de Jesus, não faria isso. A eficiência da verdade salvífica de Deus em Jesus fica comprovada só através da prática. A verdade dinâmica, vivencial do nosso relacionamento pessoal com Cristo, esta verdade vos libertara. Para os fariseus, este relacionamento da verdade com a liberdade é sem nexo.

A VERDADEIRA “VERDADE” DE JOÃO 8.32

O versículo de João 8.32 não trata da verdade secular, cujo significado é aquilo que está intimamente ligado a tudo que é sincero, que é verdadeiro, é a ausência da mentira.”, mas a Verdade que liberta: Cristo Jesus o Salvador dos homens. Numa época em que é denominada pelo termo Post-truth (pós-verdade), utilizar-se desse versículo não passa de uma tentativa de ludibriar os mais desatentos à verdadeira exegese do texto bíblico.

BOLSONARO E O JOÃO 8.32

Bolsonaro, utiliza-se de João 8.32 como “mantra” da sua Campanha Presidencial e no seu Governo para, talvez, “exorcizar” a mentira que permeia a política corrupta bem como os atos espúrios de agentes públicos. Arrebanhou milhares de eleitores e seguidores com “o conhecereis à verdade”, mas, nunca fez referência a Cristo, como a Verdade que liberta.

UMA PALAVRA AO PRESIDENTE BOLSONARO

Ex.mo. Jair Messias Bolsonaro, o senhor precisa conhecer a Verdade que liberta sua vida e a de todos que nEle (Jesus) crer. Aproveito para transcrever as palavras do próprio Cristo: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14.6). Saiba o senhor que, o uso de um versículo fora do seu contexto é um pretexto que esconde o verdadeiro sentido. A verdade e não a mentira é o que todos esperamos dos homens e mulheres que detém mandato público, que devem agir com isenção, lisura e bom trato com a coisa pública. Que seu governo seja abençoado por Deus e que traga paz e prosperidade ao povo brasileiro.

Josinaldo Mariano

Fonte: Comentário Bíblico Africano, Ed. Mundo Cristão, SP, 2010

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