QUAL O SENTIDO DA VIDA?

Romanos 8.29

No livro “SURPREENDIDO PELO SENTIDO”, Alister McGrath, fala sobre ciência, fé e como conseguimos que as coisas façam sentido, da Editora Hagnos em parceria com a Luz e Vida, Capítulo 13.

No primeiro capítulo, o autor, diz:

“Ansiamos por encontrar o sentido das coisas. Ansiamos por ver o quadro completo, por conhecer a história em sua totalidade, da qual nossa história é uma pequena parte, mas ainda assim importante.”

Muitos de nós não concebemos a possibilidade de as coisas não fazerem sentido, de um mundo sem sentido, de uma vida sem sentido, de acontecimentos sem sentido. A vida é uma imensa caixa cheia de perguntas e respostas.

Gosto de refletir sobre o propósito divino para nossa vida. Quem não entender o alvo provavelmente terá dificuldades de alcançá-lo. É necessário saber para que o Pai celestial criou o homem e o que Ele espera de cada um de Seus filhos. Sem essa clareza, como saber que direção tomar na vida espiritual?

Para responder a essa pergunta tão urgente: QUAL O SENTIDO DA VIDA? Irei expor de 4 teorias do sentido da vida tão brilhantemente expostas pelo psicólogo social Roy Baumesister: 1. A questão da identidade: Quem eu Sou? 2. A questão do valor: Eu importo? 3. A questão do proposito: Por que estou aqui? e 4. A questão da ação: Posso fazer diferença?

Porque a compreensão dessas 4 questões citadas é tão importante?

Panorama histórico

A fé cristã, independentemente do que possa ser, está inquestionavelmente preocupada com a crença de que Deus existe e de que essa existência possui relevância para a identidade, a atividade e a ação humanas.

Os cristãos sempre sustentaram que sua fé faz sentido em si mesma e dá sentido aos enigmas e mistérios da nossa experiencia. O evangelho é como uma radiação iluminadora que clareia a paisagem da realidade, permitindo que vejamos as coisas como são de fato.

Vivemos em uma cultura na qual algumas pressuposições e convenções sociais parecem estar além de questionamento. O que hoje parece ser permanente e globalmente aceito é com frequência descartado amanhã como uma forma ultrapassada de pensar.

Se de um lado temos o evangelho transformador, por outro lado temos um novo ateísmo que pregar a ausência de Deus nos rumos da humanidade. Um ateísmo que aprofunda ainda mais a dúvida da humanidade em busca de sua real significância.

De fato, como muitos hão de concordar, a vida parece não ter sentido quando um bebê morre, quando uma grande quantidade de chuvas destrói vidas e sonhos, quando jovens vivem imersos em dúvidas e perturbações, quando uma geração inteira vive um dia após outro inconformados e insatisfeitos.

A história reforça nossa avaliação de como essa busca por sentido é importante para identidade humana.

C.S. Lewis (ex ateu) disse:

“Acredito no cristianismo como acredito que o sol de se levanta, não apenas porque o vejo, mas porque por intermédio dele vejo tudo o mais.”

O argumento de Lewis é que o cristianismo fornece uma estrutura, uma forma de pensar, que extrai mais sentido do mundo do que as opções alternativas, incluindo o falso ateísmo (= Ateísmo, num sentido amplo, é a ausência de crença na existência de divindades. O ateísmo é oposto ao teísmo, que em sua forma mais geral é a crença de que existe ao menos uma divindade.)

Diante da enorme busca por sentido, muitos produzem pra si um sentido, constroem narrativas e argumentos para auto explicar-se, reunindo ideais e valores em uma colcha de retalhos de sentidos, feita sob medida para sua necessidade e preocupações.

Vamos trabalhas essas 4 questões com um fim de trazer um pouco de esperança e alento àqueles que em sua busca profunda têm perdido a alegria da vida simples e bela.

Qual o sentido da vida?

I. A QUESTÃO DA IDENTIDADE: QUEM SOU EU?

É fácil fornecer definições a respeito da identidade humana. Somos definidos por nossa composição genética, por nossa localização social e por outros incontáveis parâmetros científicos. Somos ainda definidos por nossa etnia, nacionalidade, cor da pele, etc. Contudo, a identidade com frequência é simplesmente reduzida a categorias que os seres humanos são reduzidos a estereótipos genéticos e sociais. A identidade individual passou a ser uma questão de código genético impessoal.

O filosofo judeu Martin Buber (1878-1965) grita sobre a redução das pessoas a simples objeto: a uma “coisa”, em vez de a uma “pessoa”. Para Buber, a essência da identidade pessoal é uma habilidade para existir em relacionamentos sociais e pessoais. A identidade é algo dado, e não alcançado. É-me dada identidade de pai por meus filhos; é-me dada a identidade como pessoa de relevância pelo Deus que graciosamente escolheu se relacionar comigo e me considerar dessa maneira.

Encontramos a verdadeira identidade em nosso relacionamento com Deus, que nos conhece e nos dá identidade e relevância. O ponto que realmente importa é: não definimos a nós mesmos, mas somos definidos pelo outro que atribui e salvaguarda nossa identidade e relevância. Ela é dada por Deus, que nos observa e se lembra de nós.

Agostinho de Hipona apresentou  pontos em suas Confissões, escrita entre 397 e 398. Para ele, o destino e a identidade humanos estão ligados a Deus, como nosso criador e redentor. A identidade humana está ligada à nossa origem na intencionalidade Divina.

Enquanto o humanismo secular argumenta que a religião suprime nossa identidade e conclui que a liberdade humana depende da supressão da religião. O que sentimos no nosso íntimo é uma necessidade enorme de Deus para dar sentido ao que somos. Deus é em suma nossa maior busca se sentido, nEle somos e existimos!

II. A QUESTÃO DO VALOR: EU TENHO IMPORTÂNCIA?

Uma das composições escritas mais profundas do AT é o Salmo 8, que resume a forma de uma reflexão sobre o lugar da humanidade no mundo natural. O salmista considera a imensidão do céu noturno ante de considerar o lugar dos seres humanos neste vasto universo (8.3-5).

A passagem situa a humanidade entre Deus e os animais do campo, dotados de dignidade em razão da sua criação divina. O fato de Deus se importar com os seres humanos é visto como uma questão de louvor, e não de análise lógica. O reconhecimento do cuidado de Deus com os seres humanos é maior que o cuidado com os animais.

O cuidado do Senhor é descrito também no Salmo 23.4. No vale da sombra da morte.

No NT esse cuidado é maior compreendido com a doação do Seu único Filho para morrer por nós. Essa ampliação do valor que Deus nos dar jamais pode ser posto em dúvida. Deus doou o melhor. O Seu próprio filhos para nos ter de volta.

Nossa importância aqui não é qualificada pelo que nós podemos conquistar nessa vida, mas pelo que Cristo já fez por nós. Nosso valor vem da estima que Deus tem por nós.

Você não vale quanto pesa ou quanto tem, seu valor é imensurável porque sua vida foi comprada e você pertence a Deus.

III. A QUESTÃO DO PROPÓSITO: POR QUE ESTOU AQUI?

O proposito é central para a vida séria e relevante. Na teoria da evolução, estamos aqui por acidente, como resultado de uma indiferente casualidade cósmica. (Big Beng.)

Essa ideia é em nosso tempo seguida e aceita por muitos dos que nos cercam. “Somos um acidente.”

Isso implica em viver uma vida sem proposito algum. Sem preocupações, sem identificação, sem relevância. VAZIA!

No entanto, o vazio não é um indicador de verdade. Podemos acreditar que tudo lá fora só existe para nos vencer na selva da sobrevivência, de modo que, assim, a vida é sem sentido e claramente perigosa. A resposta cristã a essa pergunta (Por que estou aqui?) se alicerça na crença apaixonada de que Deus escolheu entrar na história humana por meio da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo – capacitando-nos assim a nos relacionar com Deus e , em ultima análise, a estar com Deus na nova Jerusalém. De acordo com as Escrituras e a tradição cristã, Deus é o verdadeiro desejo do coração, o objetivo de nossos anseios e o cumpridor de nossas aspirações mais profundas.

Há os que veem a vida como uma jornada aleatória, sinuosa e sem sentido, a esses eu pergunto: POR QUE VOCÊ LUTA PELA VIDA E NÃO ACEITA O PIOR?

A jornada nos ajuda a explorar o proposito da vida de duas perspectivas distintas: a primeira enfatiza que a vida tem mais que apenas uma direção: indo da vida para a morte. Ela tem um objetivo, um proposito. Afirma que está com Deus é o ápice de todos os desejos e anseios humanos. Tudo que é bom, belo e verdadeiro aponta para Deus e encontra nEle seu cumprimento. Na segunda perspectiva, a imagem da jornada nos lembra que, ao longo da estrada da vida que percorremos, podemos ajudar outros que estão em necessidade. Ir para casa, ou seja, ir para Deus, e encontrar repouso é o ponto culminante dessa jornada.

IV. A QUESTÃO DA AÇÃO: POSSO FAZER DIFERENÇA?

Finalmente, precisamos considerar uma questão importante e, com frequência, negligenciada: posso fazer diferença? Ou sou tão insignificante e impotente que poderia muito não estar aqui? Muitas pessoas veem a capacidade de fazer diferença nas coisas como parte integral de sua busca por sentido e proposito. Se não posso fazer diferença, também não devia estar aqui, pensam elas.

A questão é: Temos o que é necessário para fazer diferença? Ou isso é algo que precisamos ser capacitados a fazer?

Da perspectiva cristã, a natureza humana foi prejudicada e ferida pelo pecado, e por isso, não consegue alcançar seu pleno potencial sem ajuda.

Esse é um ponto apresentado do começo a fim do NT, em particular pelo Apóstolo Paulo. Ele estava convencido de que estava preso, incapaz de se libertar da prisão de suas limitações e fraquezas. O que poderia ser feito? No fim, Paulo encontrou sua resposta (Rm.7.24,25).

Permita-me citar novamente Agostinho de Hipona, que cita a o pecado como uma fragilidade humana, como uma doença adquirida. O pecado segundo ele, enfraquece a humanidade e não pode ser curado pela ação humana. Todavia, Cristo é o médico divino, e por meio de seus ferimentos formos sarados (Is.53.5).

Então, em Cristo somos libertos para fazer algo que o pecado nos impossibilitaria.

Em Cristo, fomos curados de nossa miséria espiritual e libertos para viver uma vida em prol dos outros. Nossa liberdade não é um privilégio, é uma dádiva de Deus para retribuir aos outros.

O sentido da vida ainda pode ser uma busca num vazio do universo, para aqueles que ainda não descansa no Senhor do Universo, na fé e na esperança posta no seu coração.

CONCLUSÃO

O ponto de suma importância aqui é que o cristianismo não nos capacita a apenas “encontrar sentido nas coisas”. Há um imenso abismo entre o conhecimento e o sentido, entre a informação e a relevância. A fé cristã não nos deixa onde estamos, uma vez que possui um melhor entendimento das coisas; ela se propõe a transformar nossa situação.

O sentido da vida é encontrado em Deus que pode de fato nos satisfazer plenamente.

Quem somos, o quanto importamos, por que estamos aqui e o que podemos fazer, responde o sentido da vida.

A partir dessa compreensão e aceitação sua vida mudará dum sentido vago ao um sentido pleno, de uma realidade estática a uma realidade proativa.

Amém